Blog da Casa das Matryoshkas

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Desvelando as Matryoshkas…  

Desvelando os segredos e os mistérios das interessantes matryoshkas, as lúdicas e alegres bonequinhas russas…

 

 

As bonecas matryoshkas, embora já fossem conhecidas na Rússia desde o século XVII, têm a sua origem remota no Japão.

Em 1890, um modelo, representando um sábio budista, foi trazido do Japão e presenteado à família de comerciantes Mamôntov, grandes patrocinadores das artes. Usando a boneca japonesa como modelo, o artesão Vassily Zuyôzdotchkin e o pintor Sergei Malútin, na cidade de Sergiev Posad, localizada cerca de 50 km de Moscou (onde hoje existe um  Museu das Matryoshkas), criaram a primeira matryoshka russa, batizando-a com uma variação do nome russo Matryona, que deriva de mat’ (mãe).

Apresentada ao mundo, no pavilhão do Império Russo, na Exposição Universal de 1900, em Paris, desde então, a matryoshka vem ocupando legiões de artesãos ao longo de sua movimentada história.

Lev Teplov, no entanto, no seu livro A Deusa Dourada da Sibéria, registra que existe há mais de 8 séculos, no coração da Sibéria, a estátua de uma grande mulher, a Deusa Lumala,  fundida com ouro, oca e com outra estátua igual e menor no seu interior e, ainda, outra menor dentro da segunda, representando a filha, a mãe e a avó, à maneira das matryoshkas , sendo este local o centro de uma antiga seita religiosa matriarcal que sobrevive até os dias atuais nas florestas siberianas. Com o vento frio da Sibéria atingindo as cavidades ocas das três estátuas, elas emitem um estranho assobio e os moradores dos Urais, região onde se fabrica muita matryoshka,  para lá se encaminham, oferecendo suas oferendas à deusa nos seus três aspectos (informações fornecidas pelo Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagik).

Mas, seja como for, uma vez que arqueólogos e pesquisadores não conseguiram, ainda, localizar o santuário da Deusa Lumala nas florestas siberianas, prevalece a versão oficial da origem remota das matryoshkas ser no Japão.

Com a apresentação destas bonecas na Exposição Universal de Paris pelo Pavilhão Russo, rapidamente elas se tornaram, ao longo do século XX, um ícone daquele País. Entre os anos 30 e 80, as bonecas  foram feitas em larga escala, em linhas de produção quase industriais, em decorrência do regime comunista.

As matryoshkas sofreram um fabuloso renascimento artístico ao longo da última década, com o fim da produção estatal em massa e o desaparecimento do rígido controle soviético sobre qualquer forma de empreendimento privado.

Estimulados pela liberdade recém-adquirida e pela imensa demanda garantida, os artesãos começaram a criar à vontade, numa enorme variedade de expressões artísticas.  Surgiram matryoshkas com ilustração de Contos de Fadas clássicos, sobretudo dos contos russos e de histórias tradicionais como  “Branca de Neve e os Sete Anões” – onde cada uma das bonecas representa um dos anões e “Alice no País das Maravilhas”, com a boneca maior representando Alice e as demais representando cada um dos personagens centrais da narrativa, como a Rainha de Copas, o Coelho Apressado, o Chapeleiro Louco e  o Gato Risonho.

 

Outras matryoshkas passaram a reproduzir pinturas com desenhos de temas religiosos ou com caricaturas de líderes políticos, em especial dos sisudos líderes soviéticos do regime comunista.

A técnica se aperfeiçoou, surgindo bonecas pintadas em guache e aquarelas, com ornamentos de ouro ou prata e detalhes feitos com pirografia, revestidas por três camadas de verniz ou laca, algumas vezes pintadas a quente.

Atualmente, embora as matryoshkas permaneçam como símbolo da Rússia, há grande quantidade delas nos países do leste europeu. As ruas de Praga, na República Tcheca, possuem inúmeras lojas especializadas e o Mercado Municipal de Budapeste, na Hungria, apresenta uma profusão das simpáticas bonequinhas. As mais bonitas, no entanto, embora reproduzam, algumas vezes, monumentos tchecos ou húngaros, são pintadas, manualmente, na Rússia, por artesãos que se especializaram no delicado ofício  e, após,  reencaminhadas para os países do leste europeu.

Algumas são muito caras, por serem revestidas de detalhes de ouro, prata, madrepérola ou pedras. Geralmente, são assinadas pelo artista que as pintou.

Em Buenos Aires, na Argentina, há lojas especializadas em artesanato russo onde podem ser compradas legítimas matryoshkas russas. Geralmente, elas vêm acompanhadas de um folheto explicativo que ressalta a importância da boneca como protetora do lar e da família, razão pela qual  se aconselha manter um exemplar em cada casa.  Segundo a tradição preservada na Argentina, se for escrito  num papel um desejo profundo e espiritual e guardado  na penúltima bonequinha da série, em ordem decrescente, durante duas noites, em poucos dias ele será realizado.

 

Alguns tipos de matryoshkas:

 

  1. Nevalyashki: Não é tecnicamente uma boneca “encestada”, como a matryoshka clássica. Tem a forma de um sino. É mais pesada na base e, quando empurrada para trás, volta a ficar na posição original, assim como os bonecos conhecidos no Brasil como João Teimoso.  Emite um som  de sino quando empurrada, devido ao mecanismo que há em seu interior. Não contém, porém, outra boneca dentro de si.
  2. Babushka: É a avó, uma grande e larga boneca matryoshka. Quando aberta, tem três bonecas do mesmo tamanho, uma ao lado da outra. Dentro de cada uma das três bonecas, há mais três pequenas bonecas, representando as netas.
  3. Champanskaya: Composta por apenas uma peça. Quando aberta, serve para guardar uma garrafa de vodca russa ou de champanskaya, uma espécie de vinho russo.
  4. Matryoshka clássica: É a forma mais comum e conhecida, que consiste na estrutura de uma boneca maior que contém várias bonecas dentro, podendo variar de três, cinco, sete, dez , trinta ou até cem bonecas, todas pintadas de forma quase semelhante, só variando o tamanho.

 

 

As matryoshkas são um poderoso arquétipo para nos conectar com a força de nossa ancestralidade e com a  nossa intuição. O simples ato de abrir uma boneca e ir retirando as demais e abrindo toda a série, com cuidado e presença,  já nos propicia a possibilidade de desbloquear a energia muitas vezes estagnada nos elos de nossa linhagem.

Quando penso nas matryoshkas, algumas palavras espontaneamente se associam:

 

MATPËIIIKN – MATRYOSHKA – MATRIZ – MATER – MATRIX – MATERNIDAE – MÃE – GUARDAR – CESTA – GRAVIDEZ – ESSÊNCIA – DESVELAR – CAMADAS – ÚTERO – VÉUS – PROTEÇÃO – ANCESTRALIDADE – INTUIÇÃO – FERTILIDADE – SEGREDO – INICIAÇÃO – MISTÉRIO – SABEDORIA – ENCONTRO – CONVERGÊNCIA…

 

Desde 2007 venho desenvolvendo diversos trabalhos terapêuticos e de autoconhecimento com a utilização das matryoshkas e no meu livro Oráculo das Maatryoshkas, publicado pela Êxito Editorial em 2016, conto com detalhes sobre a Oficina das Matryoshkas, principal  trabalho que desenvolvi.

As matryoshkas me encantam, sobretudo por favorecerem, dentre tantas possibilidades, o olhar cuidadoso para nossa origem, nos lembrando que somos elos de uma linhagem, que carregamos memórias de dor e de alegria daqueles que vieram antes e que, também,  influenciaremos positiva ou negativamente a nossa descendência.

As matryoshkas são ferramenta importante nos trabalhos  sistêmicos, nas vivências de constelação familiar, já que nos recordam uma das mais importantes leis sistêmicas: a da hierarquia (honrar aquele que chegou primeiro no sistema ). Embora sejam lúdicas e divertidas, bonitas e coloridas, as matryoshkas nos convidam a olhar para nossa origem, de onde viemos e nos conclamam a tomar consciência da importância de nossas escolhas, a influenciarem os que vieram depois. Olhar a série das bonecas, da maior para a menor, nos elucida acerca da relação estreita entre os integrantes de uma linhagem e nos mostra nosso lugar nesta poderosa corrente familiar.

Por outro lado, vivemos hoje num mundo onde as pessoas são tão estimuladas a olhar para fora e a não fazerem contato com sua intuição, com sua sabedoria interna e então as matryoshkas aparecem para nos mostrar que as respostas aos nossos anseios estão dentro de nós, na menor das bonecas que habita no recôndito de nosso ser. Elas nos relembram que na semente cósmica e de luz que trazemos ao mundo quando aqui nos manifestamos está gravado o nosso código, com as respostas e com os propósitos de nossa descida à terceira dimensão deste Planeta Escola. Não por acaso, é comum as matryoshkas virem enfeitadas com borboletas, símbolo da transformação e dos ciclos pelos quais passamos em nossa caminhada evolutiva…

Se você gostou destas informações, gostará com certeza do meu livro Oráculo das Matryoshkas, onde o tema é aprofundado. No nosso site www.casadasmatryoshkas.org.br  e no nossa canal do Youtube, Casa das Matryoshkas, você poderá também descortinar um pouco mais dos mistérios que envolvem as matryoshkas…

(Heloísa Monteiro de Moura Esteves, Coordenadora da Casa das Matryoshkas)

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O poder de cura das matryoshkas

 

As matryoshkas têm o formato do útero e é no  vazio do útero que se abrem as possibilidades para gerar a vida… As matryoshkas também apresentam no interior da menor boneca da série um imaginário espaço vazio – onde existem as infinitas possibilidades de nossa genealogia – já que a menor, regra geral,  não se abre.

O arquétipo vibra na mesma frequência da cebola que, com suas camadas, se apresenta como exemplo de um ser multidimensional. E, mais uma vez, as matryoshkas reforçam a ideia do útero e das camadas que o revestem e que nos fazem entender a  sutileza da dança dos sete véus.

As matryoshkas nos ajudam a nos enxergar como um elo na linhagem das mulheres de nossa família, recebendo a vida e trazendo a vida, no entendimento de que estamos todas juntas e misturadas e, desse modo, quando curamos nossas feridas estamos também trazendo a cura para as mulheres de 7 gerações acima e de 7 gerações abaixo de nós.

Elas nos lembram da impermanência e da fluência da vida e nos estimulam a buscar a reconciliação com nossas origens, para que possamos, enfim, jorrar a nossa luz!