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Despertando o Sagrado Feminino

Madalenas 08

Minas não tem mar. Mas tem montanhas, serras, cachoeiras e rios. E tem minério, que traz riqueza para o País e para o Estado. Mas existe o homem e  a ambição desmedida. Existe o descaso.

E então a região de MARIANA fica na lama. E a lama inunda o coração de Minas, onde foi o início de tudo. E dói. A lama invade o rio que, curiosamente, tem o nome de DOCE, RIO DOCE. E as águas –  agora sujas de lama – do RIO DOCE, lembrando o sangue, tingem de vermelho as águas – antes azuis – do mar do ESPÍRITO SANTO, cujo nome evoca a imagem da branca pomba e que, para diversas tradições religiosas, estaria relacionado ao aspecto feminino da Trindade, o Sagrado Feminino.

Há uma mensagem codificada e que urge ser desvelada. Foi preciso sangrar a Mãe Terra em MARIANA (Maria de Nazaré, Maria de Magdala e Ana). O sangue de Pachamama tingiu as águas do RIO DOCE e alcançou as águas, antes azuis, do SAGRADO FEMININO, despertando, na dor e na perplexidade, os homens e mulheres de boa vontade que jaziam entorpecidos pela “normose”.

Para que a  profecia seja  cumprida e a cura do Planeta aconteça  a partir do despertar do SAGRADO FEMININO, é hora de arregaçar as mangas e começar o trabalho num plano mais elevado, enquanto nas esferas jurídicas e políticas as questões objetivas são devidamente enfrentadas, no tempo de Cronos.

No plano sutil,  entre as curvas das saias, dos xales e dos mantos, nas rodas de cura, nos círculos sagrados de mulheres, é preciso silenciar a alma para decifrar a mensagem subliminar. E conquistar um novo jeito de olhar para o Planeta, acolhendo e reverenciando a Mãe Terra, a fim de que um novo paradigma se instaure…

Eu sou Heloísa Monteiro, idealizadora e coordenadora da Casa das Matryoshkas (www.casadasmatryoshkas.org.br), espaço holístico localizado em Belo Horizonte e onde acontecem as reuniões  do Círculo Sagrado de Mulheres Encontros com Madalena, do qual sou a guardiã e que integra o projeto do Milionésimo Círculo, de Jean Shinoda Bolen.

E nunca duvide do que um grupo de mulheres conscientes do poder do SAGRADO FEMININO pode fazer…

Carta para minha Mãe sobre os Círculos Sagrados de Mulheres

A emoção está contida, presa, mas a sinto presente no pulsar de cada veia de meu corpo. Olho, estarrecida, para o papel deixado na escrivaninha do escritório e é difícil assimilar seu conteúdo. Como assim? Como foi possível que em tão pouco tempo você não estivesse mais senhora de seus pensamentos, de sua inteligência privilegiada, de sua fala lúcida? Ah, minha Mãe, como sinto falta de nossas conversas, de seus conselhos sábios, de sua alegria, de sua animação, de sua irreverência e perspicácia, de sua rebeldia, de sua intuição que você definia com a engraçada frase “meu sininho tocou!” e que, mesmo sem entender a razão, era a senha que me autorizava ou me proibia de seguir num determinado caminho ”Mãe, o que você acha? Seu sininho tocou?” Como foi possível que a doença de nome alemão, este Alzheimer tão assustador, fosse tirando você de nós, de uma maneira irrevogável, formando um vazio no peito e no coração? No documento que seu neto – aquele menininho levado a quem você ensinou as primeiras letras e que se tornou advogado, seguindo a tradição familiar – deixou na escrivaninha, a concretude dos fatos que não me deixa fingir que tudo isto não está acontecendo: o mandado de registro da sua interdição, por ser absolutamente incapaz. E a vida, mais uma vez nos pregando peças, me colocando no incômodo lugar de sua curadora. Agora os papéis se invertem e você é minha filha, minha criança e eu sou a sua mãe, responsável pelo seu bem estar, pela sua vida, pelas suas necessidades, pela compreensão das suas vontades que você não é mais capaz de expressar. E, então, penso no Círculo Sagrado de Mulheres que instituí há quatro anos, na Casa das Matryoshkas, batizado de Encontros com Madalena. Como teria sido bom para você se tivesse tido a chance, algum dia, de participar de algo semelhante. Chego a pensar que talvez a sua doença pudesse ter sido evitada ou seu processo retardado, se você tivesse encontrado um espaço sagrado onde livremente se expressasse. Um lugar de poder, de cumplicidade 1 e que te incentivasse a não ser tão desconfiada, se permitindo abrir o coração para as outras mulheres, deixando fluir toda a sua sabedoria e criatividade. Há, de fato, uma poderosa energia quando um grupo de mulheres se senta em círculo. Participei, nos últimos anos, na minha frenética busca das respostas aos desafios que se me apresentavam, de muitas vivências em que os participantes – na maioria das vezes exclusivamente mulheres – se sentavam em círculos, no chão, formando uma verdadeira roda de cura. Aos poucos, pude observar quão poderosa é a energia criada quando se trabalha nesta formação. No círculo não há hierarquia, todos são iguais. O fluxo da energia fica livre, flui com estranha leveza, impregnando todos os integrantes. O círculo lembra o sol e também a lua. Lembra os seios, as curvas do corpo da mulher, o redondo feminino, as parábolas, as ondulações que se formam quando uma pedra é arremessada em um lago… O círculo nos remete à nossa ancestralidade, trazendo a lembrança dos povos primitivos, dos índios, dos xamãs… O círculo nos tira do tempo linear, cartesiano e nos envolve nas curvas dos mantos, nos remete às entrelinhas, nos abre possibilidades, nos desvela e nos revela segredos. O círculo é mágico, nos evoca recordações da infância, ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar… Oh! Eu entrei na roda, oh! Eu entrei na contradança, eu não sei como se dança, eu não sei dançar… Depois te ter lido o livro O Milionésimo Círculo, de Jean Shinoda Bolen, me encantei com a proposta da autora que nos conclama a acreditar na incrível força criada pela união de vários grupos formados por mulheres, força esta tão necessária para trazer uma nova consciência para as pessoas do terceiro milênio. A chave de transformação seriam os Círculos de Mulheres, encontros que fazem emergir a sabedoria coletiva de que precisamos agora, para que haja uma integração entre o yin que evoca a conexão com o sagrado feminino e a deusa e o yang (masculino) que tem dominado e desequilibrado as relações no patriarcado. De círculo em círculo, alcançaríamos um número específico (o milionésimo círculo) responsável pela mudança de padrão. Para o patriarcado mudar, precisamos unir essa sabedoria, que é materializada no Círculo de Mulheres Quando, algum tempo depois, comecei a me permitir sair do tempo cartesiano, lógico, linear, construído pelo patriarcado que vem dominando o mundo de maneira doentia e decidi abrir um espaço para, ao lado de minha carreira na área jurídica, desenvolver um trabalho transformador com mulheres, tive certeza de que deveria estar conectada com a energia dos diversos círculos de mulheres espalhados pelo mundo, cujo poder de transformação fora tão bem acentuado pela psicanalista americana. 2 Desde 2007, venho reunindo mulheres em círculos, na viagem coletiva rumo ao autoconhecimento e, em 2010, fiz a inscrição desta atividade no site do Milionésimo Círculo, que congrega atividades semelhantes que acontecem em todos os lugares do mundo. Afinal, não se sabe ao certo quando teremos mil círculos de cura, por isso é preciso registrar naquele espaço sagrado cada novo círculo que se forma, inspirado no desejo de mudar as consciências, através de uma silenciosa revolução das mulheres, contaminando todo o planeta. Meu trabalho acontece gradativamente. As mulheres vão chegando para os encontros, sentam-se em círculo no chão, formando uma linda ciranda. No centro da roda, são colocadas flores, uma vela, frutas, incenso, a imagem de Nossa Senhora ou de alguma santa ou deusa pagã. No círculo, as mulheres resgatam a cumplicidade perdida, choram e se emocionam, falam de suas dores e de seus medos, dão risadas, contam seus sonhos, às vezes parecem meninas na pré-escola, fazendo seus desenhos e guirlandas de maneira divertida e lúdica. As mulheres entendem que estão num espaço sagrado, onde não existe censura e nem crítica. A energia de acolhimento acessada em cada encontro permanece com as participantes quando o trabalho se encerra e é frequente o relato de várias delas terem sentido a presença do circulo sagrado ao longo do mês. A força do círculo surpreende quem dele participa. Ele tem o condão de acolher, para fazer uma grande alquimia e permitir que suas integrantes possam alçar novos voos com segurança e sabedoria. Nos círculos de mulheres não há hierarquia, conquanto seja necessário existir a facilitadora, responsável pelo desenvolvimento e condução dos encontros. Costumo orientar as mulheres que tem participado dos círculos comigo a visualizarem um fogo sagrado no centro da roda, fixando o olhar neste ponto. Tudo aquilo que precisa ser transmutado deve ser enviado para este fogo sagrado, a fim de que a alquimia aconteça, as chamas do fogo cresçam e emitam energia renovada e de força para as participantes do encontro.Vejo o círculo como um grande caldeirão alquímico, capaz de reunir e reciclar energias, fazendo limpezas e expurgos e fortalecendo cada integrante do grupo. Seja como for, a sensação experimentada por pertencer a um círculo de mulheres é reconfortante, acolhedora e, ao mesmo tempo, de muita força. Por tudo isso, sinto imensamente pelo fato de a vida não ter dado a você, Mãe, a chance de vivenciar um Círculo Sagrado de Mulheres. A sensação de pertencimento, o retorno da inteireza, o extermínio da fragmentação, o  empoderamento do feminino e o resgate da sabedoria ancestral afloram com naturalidade quando a mulher se permite participar deste mágico movimento. Fecho os olhos, e – não sei se por estar entrando num estado alterado de consciência ou por mera consequência do maravilhoso vinho californiano que degusto em pequenos goles – me deparo com a figura daquela mulher doce que se tornou minha mãe ainda tão jovem, que me ensinou as primeiras palavras, que acompanhou meus primeiros passos, meu porto seguro em todos os momentos importantes de minha vida. Vejo você, Mãe, assim tão bonita, senhora de sua vontade, livre de qualquer doença ou limitação, dançando no centro do Círculo Sagrado de Mulheres Encontros com Madalena. As Madalenas, alegres, recebem você, Mãe, no centro do círculo sagrado e cantam para você dançar e sonhar. Elas te abençoam e pedem à Senhora do Manto Vermelho – que inspira o nome do grupo – que te inclua na roda de cura. Entoam nosso hino, o Shalom Mariah e uma bruma translúcida se forma em torno do círculo , enquanto uma teia luminosa é tecida, unindo todas as integrantes. Você está plena, radiante, cheia de luz, bailando como borboleta, vivendo na dimensão do sagrado, num tempo atemporal e cada uma das mulheres te acompanha no resgate da essência do Sagrado Feminino. Por um momento, que parece eternidade, sou de novo menina, do cabelo loiro, a dormir aconchegada no seu colo macio e perfumado, embalada pela singela canção que você costumava cantar e que, até hoje, curiosamente, ainda se lembra e gosta de cantar com suas filhas e sua irmã e que fala da Mãezinha do Céu, do manto azul e do branco véu. Entendo, então, Mãe, que um círculo sagrado de mulheres é tão poderoso que é capaz de nos alcançar em qualquer dimensão, curando as feridas do feminino que trazemos gravadas na alma, nos libertando definitivamente das culpas, dos medos e das inseguranças, para vivenciarmos a plenitude da Mulher! (Às Madalenas, mulheres integrantes do Círculo Sagrado de Mulheres Encontros com Madalena, a minha gratidão pela participação nesta especial vivência da cura de minha Mãe, Martha, fora das limitações da terceira dimensão).

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Heloísa Monteiro de Moura Esteves (Guardiã do Círculo Sagrado de Mulheres Encontros com Madalena, de Belo Horizonte, registrado no site do Milionésimo Círculo. Aspirante do CIT – Colégio Internacional de Terapeutas. Aprendiz da Turma 10 da FHB – Formação Holística de Base da UNIPAZ/MG. Integrante da Diretoria Colegiada da UNIPAZ/MG. Coordenadora da Casa das Matryoshkas. Formação em abertura de Registros Akáshicos. Reikiana nível I. Palestrante)